Desde muito cedo nas Minas Gerais percebi que pessoas se preocupam com seu lugar no mundo e com seu destino. Acredito que no resto do mundo também, mas eu mesma nunca vivi nesses outros lugares. Vivo em Brasília e aqui aprendi sobre a inexorabilidade do futuro, a cada dia, até não duvidar mais dela.
Em que consiste o inexorável? Naquilo contra o que nada podemos fazer. No inevitável. Não falo da morte, mas da vida e do que se cria e recria a cada dia, em todas as áreas e em todos os lugares. Nas crenças abaladas e nas realidades modificadas à nossa revelia.
Em 1899 acreditava-se que a “carruagem sem cavalo” jamais se tornaria tão comum como a bicicleta e no entanto, menos de 30 anos depois mais de 15 milhões de automóveis já tinham sido vendidos.
Você pode imaginar a quantidade de negócios surgidos por causa do automóvel? E a quantidade de negócios de deixou de existir? Será que foi fácil para um cocheiro tornar-se motorista?
Em 2008 há muito mais “coisas” acontecendo do que em 1899, será que estamos tão preparados para aprender a dirigir, quanto o cocheiro de 100 anos atrás?
Nem sempre temos “ um olho no gato outro no peixe” mas, se assim for, é bom lembrar que ambos se movem. E o movimento deles nos desloca.
Em Brasília descobri que as ruas não são iguais em todas as cidades e surpreendi-me com o ar seco. Aparei o futuro com a ponta dos dedos no teclado de um terminal de computador, que me deslocou das linhas discadas para wi-fi. Hoje estou intrigada com o dia de amanhã.
Já pensou nisso?
Escrito por marciamatos 