Livros e bibliotecários

abril 26, 2009

Li o super post do Sérgio Storch dedicado aos bibliotecários e não pude deixar de refletir sobre a situação deles. Enquanto o Sérgio, muito bem, dirige a questão a uma nova formação nas IES, eu prefiro acreditar numa nova profissão, com novos papéis, deixando o “biblio” em segundo plano. Explico. Houve um tempo em que os copistas faziam livros, tive a sorte de ver alguns visitando museus, que ficariam guardados a sete chaves para alguns privilegiados. Trabalho árduo e reservado, como descrito por Umberto Eco em O Nome da Rosa.

Quando Goethe vai à Itália (1786-88) ele se surpreende por não encontrar intelectuais em visita a uma livraria, o que retrata o elitismo da leitura em pleno Século das Luzes.

Nos dois séculos seguintes surgiram mais bibliotecas e livrarias, mas isso não representou o acesso à informação. Comprar livros era para poucos (ainda o é, de certa forma) e freqüentar bibliotecas era coisa de intelectual, também poucos. Até porque em 1920 o “percentual de analfabetos no país referente a todas as idades é de 75% e na população de 15 anos e mais é de 65%” (veja Pedagogia em Foco).

Atualmente, há muita facilidade em se obter livros, comprando nas livrarias, supermercados, revistarias, pela internet, novos, usados ou emprestando. E os preços já são mais competitivos. Depois doamos, porque o tamanho das casas já não cabe grandes estantes.

Acrescente-se a isso o mundo digital, com livros e mais livros de graça ou quase. O site Domínio Público tem 3.798 obras cadastradas para você ler gratuitamente. A recém lançada Biblioteca Mundial Digital está nos oferecendo, graciosamente, documentos antes inacessíveis.

Isso me faz pensar que, somando a facilidade de obter e fazer circular os livros com o volume de obras digitalizadas, o bibliotecário está num “beco sem saída”. Porque é bem provável que daqui a pouco façamos com os livros o mesmo que com as revistas: lemos, passamos adiante ou jogamos no lixo. O que nos interessar guardar estará no computador (ou nas  nuvens). Você acredita nisso?

 


Será que Escolas de Samba escondem algum segredo?

fevereiro 27, 2009

escolas1

Observar o carnaval passar na televisão me provocou curiosidade de saber o que faz uma escola ganhar o primeiro lugar. Tudo é lindo, parece perfeito e na “hora H” tem aquela que fica em primeiro por alguns décimos.

Onde reside o mistério dessa diferença?

Pesquisei os sites que mantém o histórico dos desfiles, tanto do Rio de Janeiro como de São Paulo e consolidei duas informações sobre os últimos cinco anos: quem foi o primeiro lugar e com que enredo.

A tentativa é olhar para esse quadro e tentar adivinhar o que há em comum envolvendo esses vencedores.

Adivinho o intangível, usando a intuição. Palavras como amor, Deus, latinidade, místico, riso, esperança, coração sinalizam o que vem por dentro no enredo.

Sei que adivinhar não é sério e não vale como referência, mas que dá o que pensar, lá isso dá!


Tecnologia – um eterno desafio para todos nós

outubro 12, 2008

 

Minha mãe cresceu ouvindo rádio e hoje assiste  TV a cabo, fica sabendo das novidades em tempo real. Entre uma coisa e outra, pouco tempo se passou.

A primeira transmissão oficial brasileira pelo rádio foi em setembro 1922 (com 80 rádios importados), mesmo ano da inauguração da primeira central telefônica no país.

A primeira transmissão pela TV foi em abril de 1950, mas apenas 22 anos depois veio a TV a cores e a concessão para TV a cabo em 1990, mesmo ano em o Rio de Janeiro torna-se a primeira cidade brasileira a usar a telefonia móvel.

Em dezembro de 2007 tem início a TV digital, em São Paulo.

Ocorre que nos anos noventa vem também a Internet, conectando as mídias e misturando tudo. Como se não bastasse, nesse 2008 chega o celular 3g, possibilitando conexão à Internet, exibição de vídeos e mais umas tantas outras novidades.

Tudo isso em apenas 86 anos, o que na medida da história define-se como menos de um século.

O que será que minha mãe vai fazer com um Iphone?

Isso não saberia responder, mas me pergunto: o que virá em 2009, 2010… Onqovô?


O empreendedor

setembro 21, 2008

 

Vi o caso no programa PEGN. Um empreendedor que trabalhou como office boy e empacotador de supermercado durante sete anos, juntou 50 mil reais e abriu seu próprio negócio. Ficamos com vergonha de não ter nem pensado em juntar um dinheiro para fazer qualquer coisa? L

Penso que sim!. Afinal não é fácil. Primeiro vem o sonho, depois o firme propósito em realizá-lo. Depois,  persistir, acreditar, arriscar e acertar.

(O pior é que depois, religiosamente, haverá quem olhe para uma pessoa dessas e critique o fato dela ter dinheiro, estar bem posicionada na vida. Que até pense que ela andou fazendo negociatas…)

Quando ouço essas histórias sempre fico em dúvida sobre o que corre nas veias de um empreendedor, se o sangue deles tem alguma diferença, se há um gene qualquer que o defina hereditariamente  ou se ele tem alguma química particular que facilite reunir as qualidades necessárias para realizar seus sonhos.

Alguns exemplos de empreendedores estão aqui. Será que nos ajudam a aprender?

 

 


Evite tropeços

julho 22, 2008

Os modelos mudam porque nós tropeçamos no velho e caímos no ridículo.
Já perceberam como fica ridículo alguém falando sem parar para uma platéia, sem nenhum material de apresentação e sem dar tempo para perguntas? Não é porque a pessoa fala mal, mas é porque o modelo mudou. Nem aquele ppt com florzinhas serve mais. É preciso ser muito criativo na apresentação, com imagens, casos, novas formas de abordagem e mais que tudo, espaço à participação.
Mas isso não é nada. O problema é que tudo está ficando velho muito rapidamente, ao mesmo tempo em que as pessoas estão permanecendo jovens por muito mais tempo – e ser idoso também tem muito mais charme!
Imagine quem entrou na faculdade esse ano e está estudando Gerência de Rede. Onde ela irá encontrar um departamento de TI daqui a quatro anos para trabalhar? O modelo desses departamentos está em queda vertiginosa, frente às soluções de serviços na web e às soluções de acesso à Internet sem fio, o 3G, por exemplo. Podem falar mal agora, mas daqui a pouco…
Outro modelo em decadência total são os sites institucionais. Páginas estáticas que ninguém quer ler. Quantos desses você visitou nos últimos 30 dias? O que vai ser dos webdesigners?
Quer mais? O que vai ser dos produtores de desktops com o baixo preço dos laptops e o tamanho dos apartamentos diminuindo? Leitores de CD? Só se for para diversão, a rede vai prover armazenamento. Documentos no Google Docs vão substituir o nosso Office de cada dia?
São muitas perguntas precedendo os planos, muitas ameaças de tropeços.

“Atenção tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso”


Quem está preparado para o futuro?

julho 20, 2008

Desde muito cedo nas Minas Gerais percebi que pessoas se preocupam com seu lugar no mundo e com seu destino. Acredito que no resto do mundo também, mas eu mesma nunca vivi nesses outros lugares. Vivo em  Brasília e aqui aprendi  sobre a inexorabilidade do futuro,  a cada dia, até não duvidar mais dela.

Em que consiste o inexorável?  Naquilo contra o que nada podemos fazer. No inevitável. Não falo da morte, mas da vida e do que se cria e recria a cada dia, em todas as áreas e em todos os lugares.  Nas crenças abaladas e nas realidades modificadas à nossa revelia.

Em 1899 acreditava-se que a “carruagem sem cavalo” jamais se tornaria tão comum como a bicicleta  e no entanto, menos de 30 anos depois mais de 15 milhões de automóveis já tinham sido vendidos. 

Você pode imaginar a quantidade de negócios surgidos por causa do automóvel? E a quantidade de negócios de deixou de existir? Será que foi fácil para um cocheiro tornar-se motorista?

Em 2008 há muito mais “coisas” acontecendo do que em 1899, será que estamos tão preparados para aprender a dirigir, quanto o cocheiro de 100 anos atrás?

Nem sempre temos  “ um olho no gato outro no peixe”  mas, se assim for,  é bom lembrar que ambos se movem.  E o movimento deles nos desloca.

Em Brasília descobri que as ruas não são iguais em todas as cidades e surpreendi-me  com o ar seco. Aparei o futuro com a ponta dos dedos no teclado de um terminal de computador,  que me deslocou das linhas discadas para wi-fi. Hoje estou intrigada com o dia de amanhã.

Já pensou nisso?


Onqovô?

julho 19, 2008

 

A resposta para Onqotô foi dada pelo Grupo Corpo  num belíssimo espetáculo de balé que tinha no tema  central a preocupação com “a perplexidade e a inexorável pequeneza do Homem diante da vastidão do Universo

Minha  mineirice me obriga a aproveitar a brilhante idéia do Grupo Corpo  fazendo a pergunta  Onqovô?  E  a parodiar o tema pegando a trilha da  caminhada plena de incertezas para um futuro inexorável.

 


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