Tecnologia sem carimbo não vale

carimbos1A cada dia me admiro mais com o uso do carimbo. Repara que os documentos de origens as mais diversas, pra valer mesmo, precisam ser carimbados. Nos cartórios é assim. Nos órgãos públicos também. Até no aeroporto, depois de você efetuar todos os procedimentos, da compra até o check-in pelo computador, é necessário carimbar…

Você usa o computador, produz, preenche, imprime. E carimba.

De certa forma, é divertido pensar que mediante tanta tecnologia, tantos softwares, sistemas, sites de comércio eletrônico, certificação digital o carimbo seja tão necessário. Tanto é que já foi criado um carimbo do tempo para certificar a certificação.

Comparo a resistência do carimbo a das baratas, cuja origem remonta a 400 milhões de anos. Apesar de não ser tão antigo quanto elas, o carimbo precede os selos postais e começou a ser usado no Brasil no século XVII e continua em plena forma.

Consta que quem o concebeu da forma como é hoje foi o rei português D. Diniz, em 1305, uma evolução dos lacres de cera com a marca do anel do rei.

Com poucas mudanças nos formatos e nos materiais com que são produzidos, os carimbos resistem firmemente à tecnologia, persistindo nas mesas, gavetas e balcões para confirmar – dar autenticidade – aos atos dos usuários da tecnologia da informação. Ou seja, servindo do mesmo fim ao longo dos séculos.

Quer mais? Carimbos podem ser, ainda hoje, um bom negócio, pois sendo tão necessários será necessário também quem os produza.

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2 respostas para Tecnologia sem carimbo não vale

  1. Márcia, sua analogia dos carimbos com as baratas é o maior barato. É mesmo, não desaparece. E o mais bizarro é que a gente continua aceitando e carimbando passivamente, como se fosse uma coisa natural.

    Me lembrou a historinha do Eduardo Galeano sobre “A Burocracia”:

    Sixto Martinez fez o serviço militar num quartel de Sevilha.
    No meio do pátio desse quartel havia um banquinho. Junto ao banquinho, um soldado montava guarda. Ninguém sabia porque se montava guarda para o banquinho. A guarda era feita por que sim, noite e dia, todas as noites, todos os dias, e de geração em geração os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém nunca questionou, ninguém nunca perguntou. Assim era feito, e sempre tinha sido feito.
    E assim continuou sendo feito até que alguém, não sei qual general ou coronel, quis conhecer a ordem original. Foi preciso revirar os arquivos a fundo. E depois de muito cavoucar, soube-se. Fazia trinta e um anos, dois meses e quatro dias, que um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca.
    (pág 62, “O livro dos abraços”)

    Um beijo
    Sérgio

  2. Excelente observação! Não é que é verdade?!!!!

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